História:

A casa dele nunca foi um lar. Era silêncio e grito ao mesmo tempo. O pai, sempre mandando, sempre com raiva de tudo. Bastava olhar torto pra levar uma bronca, um empurrão, ou pior. A mãe… ela tava lá, mas era como se não estivesse. Vivia dopada, distante, com medo de respirar alto.

Ele aprendeu cedo a não chorar. A engolir tudo. A andar na ponta dos pés. A segurar o ar quando ouvia a chave na porta. A se calar, mesmo quando tudo dentro dele gritava.

Ninguém perguntava como ele se sentia. Ninguém dizia que ele importava.

Com o tempo, a raiva virou parte dele. Aprendeu a levantar a voz antes que o mundo pisasse. A rir com desprezo pra não mostrar que doía. A agir como se não precisasse de ninguém porque nunca teve ninguém de verdade.